E de repente o sol entrou na minha vida. Clareou meus pensamentos. Deu brilho às minhas idéias. Iluminou meus caminhos que, algumas vezes, parecem escuros. Aqueceu meus sentimentos mais frios. Foi assim que você ressurgiu pra mim, fazendo brotar lágrimas de uns olhos que já tinham se esquecido o que era chorar, seja de alegria, de saudade...
Quero muito escrever sobre tudo que senti, percebi e vivi nesta minha volta ao cerrado. Voltar é sempre difícil; para Brasília, então, é acima de tudo, sentir novamente. Ver a casa que, um dia, foi tão minha e hoje não é nada além do que uma velha casa de uma rua conhecida. Passar por caminhos que foram tão presentes de olhos fechados, se for preciso. Ver o mesmo pôr-do-sol tão alaranjado quanto nos 24 anos em que estive lá. Não se incomodar com o ar seco e com a baixa umidade. Gostar de ouvir o silêncio que ainda toma conta das madrugadas. Acordar com passarinhos cantando. Olhar ao redor e perceber que ainda existem áreas não construídas. Observar que está tudo igual, só que diferente. Entender que o diferente também pode ser igual e vice-versa. Ter vontade de beber água, muita água, nem que seja pela primeira vez. Saber que existem lacunas a serem preenchidas, se conformar com as que já foram e as que jamais serão. Voltar a Brasília significa saudade do passado, inconformismo com o presente e incerteza de um futuro.


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